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Funk carioca: do mundo pros morros, dos morros pro mundo

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Resumo do capítulo

Nascido do encontro entre influências internacionais e a criatividade das periferias cariocas, o funk tornou-se um dos gêneros mais populares e debatidos da música brasileira. Este capítulo acompanha sua trajetória desde os bailes black até sua consolidação como fenômeno cultural, discutindo preconceitos, disputas simbólicas e processos de transformação musical. Uma história que revela como as periferias também produzem inovação, identidade e cultura.

Trecho do livro

Rap do Silva”, de MC Bob Rum, pode ser considerada uma espécie de manifesto de defesa dos funkeiros – que eram marginalizados e considerados criminosos por boa parte da população brasileira – bem como uma revelação da violência sem sentido vivida nas periferias. A música conta a história de um anônimo (“só mais um Silva que a estrela não brilha”) que é assassinado num baile funk sem nenhum motivo aparente (“Apertou o gatilho/ Sem dar qualquer explicação”). O funk ainda chama a atenção da importância que esta manifestação cultural tem, inclusive porque é uma forma de lazer para um grupo social marginalizado (“O funk não é modismo/ É uma necessidade/ É pra calar os gemidos que existem nessa cidade”).

Na contramão do funk que valoriza a periferia, temos o funk ostentação, que se desenvolve em São Paulo, em meados dos anos 2010. Sem grandes inovações musicais (há uma continuidade na maneira como é cantado e tocado), o funk ostentação se caracteriza basicamente pela valorização da inserção dos funkeiros na sociedade de consumo pela via ascensão social e econômica. Carros, motocicletas, bebidas caras, mulheres bonitas atraídas pelo dinheiro, entre outros, são os temas principais do funk ostentação. Enquanto alguns funks idealizam a vida em favelas (como o “Rap da felicidade”), este vê no enriquecimento um meio de superação da vida pobre nos morros e periferias.

Num certo sentido, é, inclusive, possível associar esta nova temática à ascensão da denominada “classe C” promovida no início da década de 2010. Funkeiros como MC Guimê, MC Gui, MC Lon, entre outros são exemplos dessa geração de cantores. Um exemplo destas canções é “Plaquê de 100” (2012), de MC Guimê, que faz referência ao dinheiro (plaquê de 100) e o que ele pode comprar (um carro Citroën, uma moto Hornet ou 1100, entre outros), inclusive mulheres (“Aí nóis convida, porque sabe que elas vêm”).

Playlist do capítulo

  • 01I got youJames Brown
  • 02SossegoTim Maia
  • 03Feira de AcariDJ Marlboro e MC Batata
  • 04Melô da mulher feiaAbdula e DJ Marlboro
  • 05TchutchucaBonde do Tigrão
  • 06Cerol na mãoFuracão 2000 e Bonde do Tigrão
  • 07Rap da felicidadeCidinho & Doca
  • 08Orgulho da FavelaSilva
  • 09Rap do SilvaMC Bob Rum
  • 10Plaquê de 100MC Guimê
  • 11Show das poderosasAnitta
  • 12Vai malandraAnitta
  • 13Meu namorado é mó otárioMC Carol
  • 14Delação premiadaMC Carol e Leo Justi
  • 15Não foi CabralMC Carol e Leo Justi
  • 16100% feministaMC Carol e Karol Conká
  • 17Bucky done GunM.I.A.

Ouvindo a faixa inteira só com sessão aberta no Spotify. Sem login, o player reproduz apenas a prévia de 30 segundos.

Obs.: Sempre que possível, indicamos a primeira gravação ou aquela citada no livro. Quando ela não está disponível no Spotify, optamos pela versão mais próxima do original, sinalizada na lista com o nome do intérprete.

Playlist completa do livro

Disco Essencial

Funk Brasil Vol. 1

DJ Marlboro · 1989

Considerado marco fundador do funk carioca, este foi o primeiro álbum a reunir composições produzidas especificamente para os bailes funk, consolidando linguagem musical própria a partir da fusão entre Miami bass, música eletrônica e cultura das periferias cariocas. Faixas como "Melô da Mulher Feia" (com MC Abdullah) e "Feira de Acari" (com MC Batata) simbolizam transição dos antigos bailes black para nascimento de novo gênero musical, cuja influência se estenderia por todo o Brasil.

A obra analisada

Existe apenas um Rio de Janeiro? O videoclipe de Anitta confronta estereótipos e apresenta uma cidade plural, cheia de contrastes. Descubra como imagem e música dialogam para reinventar um dos maiores cartões-postais do Brasil.

Giovanni Bianco – Cenas do videoclipe Girl from Rio, 2022Giovanni Bianco – Cenas do videoclipe Girl from Rio, 2022Giovanni Bianco – Cenas do videoclipe Girl from Rio, 2022
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A leitura completa desta obra está no capítulo 11 do livro. Conheça o livro →

Cenas do videoclipe Girl from Rio de Anitta

Giovanni Bianco, 2022

Vídeo

1920 × 1080 pixels

Disponível no YouTube

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Recursos do capítulo

Filme

Sou Feia Mas Tô na Moda (2005), de Denise Garcia

Filme

A Batalha do Passinho (2012), de Emílio Domingos

Entrevista

Websérie Funk Brasil Entrevista: Dj Marlboro

Entrevista

Flow Podcast: Anitta

Podcast

Podcast História Preta, temporada “Do Funk ao Funk Carioca”

Internet

KondZilla

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Sala de Aula

16 questões de vestibulares e do ENEM sobre este capítulo, para responder e corrigir na hora.

Exercícios deste capítulo