A esta altura, o nome do programa já havia se transferido para o movimento musical homônimo, caracterizado por trazer “versões/adaptações de canções pop/rock norte-americanas e inglesas (especialmente de bandas como The Beatles, Rolling Stones, Gerry and Pacemakers, Gary Lewis and The Playboys, dentre outros), e de baladas italianas” (ZAN, 2013, p. 105). Por essas influências é que a jovem guarda também era conhecida como “iê-iê-iê”, numa clara referência à canção “She loves you”, dos Beatles, que inicia com o verso, repetido algumas vezes, “She loves you, yeah, yeah, yeah”.
Todavia, aos poucos, Roberto e Erasmo foram imprimindo uma nova maneira de fazer música, trazendo para as canções marcadas pela presença do trio instrumental do rock (bateria, guitarra e baixo elétricos), letras que tematizavam casos amorosos e fortuitos, separações, amores não correspondidos e aventuras tipicamente modernas, que tratavam de cinemas, carros, velocidade, etc. Adotavam uma linguagem bastante simples, com traços caracteristicamente juvenis – como irreverência, humor, rebeldia e aventura – e imprimiam um ritmo dançante às suas canções, o que agradava bastante o seu público-alvo, especialmente a faixa que não se alinhava à música de protesto. Segundo o empresário e produtor dos principais músicos da jovem guarda, Carlos Imperial: “Nas nossas canções não falamos jamais de tristeza, dor-de-cotovelo, de desespero, de fome, de seca, de guerra. Somos sempre uma mensagem de alegria para o povo... O iê-iê-iê aproximou o filho dos pais, tornando o diálogo mais possível” (DUNN, 2009, p. 81).
Uma das músicas mais lembradas desse período é “O Calhambeque”, versão brasileira de Erasmo para “Road Hog” de John D. Loudermilk e Gwen Loudermilk, gravada por Roberto Carlos em 1964. Musicalmente, a canção não foi alterada, mas a letra sofreu uma adaptação para o contexto brasileiro, trazendo elementos da modernidade pensada naquele momento por uma parcela da juventude.





