O sample como citação: quando um rap traz um disco antigo para dentro de si, e o que essa escolha diz sobre o passado que ele reivindica.
Problema norteadorDois rappers escolhem antepassados diferentes para a própria música. O que cada escolha diz sobre o Brasil que cada um reivindica?
EM13CHS101 Analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão e à crítica de ideias filosóficas e processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
EM13CHS104 Analisar objetos da cultura material e imaterial como suporte de conhecimentos, valores, crenças e práticas que singularizam diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
EM13LGG105 Analisar e experimentar diversos processos de remidiação de produções multissemióticas, multimídia e transmídia, como forma de fomentar diferentes modos de participação e intervenção social.
No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H2 — Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas; H3 — Associar as manifestações culturais do presente aos seus processos históricos.
Para treinar: questão 2 da lista do capítulo 10, questão 13 da lista do capítulo 10.
É o oposto exato de analisar letra. Aqui o documento histórico está audível dentro da própria gravação: o violão de uma gravação de bossa, um samba dos anos 1970, uma faixa de soul brasileiro de 1971. O aluno ouve a citação antes de ler qualquer coisa.
Ensina que citar é escolher. Um álbum inteiro de 2003 é construído sobre samba sampleado e argumenta, pelos créditos, que o antepassado do rap brasileiro é o samba. Do outro lado, uma gravação paulista de 2002 escolhe o soul brasileiro como ancestral. São duas teses de linhagem, e nenhuma das duas está escrita em palavra nenhuma.
E dá uma fonte que a coleção já tratou por outro lado: os créditos de sample são documento de autoria. Quem assina, quem recebe, quem foi esquecido — a mesma pergunta do primeiro samba gravado no país, cem anos depois e com contrato.
A ressalva é obrigatória e é ela que impede a aula de virar nativismo: a mesma faixa paulista também sampleia um rapper norte-americano e um disco de metais britânico. A linhagem escolhida não é só brasileira.
Conteúdos envolvidos
Escuta dos quatro raps, sem informação. Uma tarefa só: apontar, em cada um, o trecho que parece não ter sido tocado agora.
Ouvidas na íntegra. A turma tenta casar cada uma com o rap de onde a ouviu.
Conferência no acervo de samples, com o áudio dos dois lados sincronizado. O que denunciou cada sample: o chiado, o instrumento, o jeito de cantar.
De que época é cada original, e o que estava acontecendo no Brasil naquele ano.
Três das quatro vêm do mesmo álbum, que sampleia samba do começo ao fim; a quarta escolhe o soul brasileiro. Por que cada artista escolheu justamente esse antepassado?
A faixa paulista também sampleia um rapper norte-americano e um disco de metais britânico. Escolher passado não é escolher só passado nacional.
Quem recebe pelo sample, quanto, e o que acontece quando o original é de um compositor que morreu sem herdeiros ou nunca registrou nada.
Montagem em grupo, com as fichas e os créditos.
O violão da bossa dentro de um rap: a citação mais inesperada das quatro.
OuvirO samba dos anos 1970 assumido como antepassado direto, no título e na base.
OuvirA escola de samba dentro do rap, fechando a tese do álbum.
OuvirSão Paulo escolhendo o soul brasileiro como ancestral — e não só ele.
OuvirO violão da bossa que Marcelo D2 pôs debaixo do rap.
OuvirO samba dos anos 1970 que o álbum reivindica como antepassado.
OuvirA escola de samba entrando no rap pela bateria.
OuvirO soul brasileiro escolhido como ancestral pelo lado paulista.
OuvirUma árvore genealógica sonora, em grupo: um rap no topo, as gravações que ele traz dentro de si nos galhos, e para cada galho uma ficha com data, contexto histórico e o crédito de quem deveria receber por ela. No pé da árvore, um parágrafo dizendo que passado aquele artista escolheu como seu.
Critérios