Os anos 1990 brasileiros vistos por dois indicadores que não combinam: a economia que se estabiliza e a periferia que fica mais violenta.
Problema norteadorSe a economia melhorou nos anos 1990, por que a música feita na periferia ficou mais dura?
EM13CHS306 Contextualizar, comparar e avaliar os impactos de diferentes modelos econômicos no uso dos recursos naturais e na promoção da sustentabilidade econômica e socioambiental do planeta.
EM13CHS402 Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.
EM13CHS503 Identificar diversas formas de violência (física, simbólica, psicológica etc.), suas causas, significados e usos políticos, sociais e culturais, avaliando e propondo mecanismos para combatê-las, com base em argumentos éticos.
No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H15 — Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo da história; H18 — Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implicações sócio-espaciais.
Para treinar: questão 2 da lista do capítulo 10, questão 16 da lista do capítulo 10.
É a aula em que a canção deixa de ilustrar a história e passa a discordar dela. Os números macroeconômicos da década são bons: a inflação de junho de 1994, de 47,43%, cai para 6,84% em julho e para 1,71% em dezembro. E as canções feitas naqueles mesmos anos, na periferia, são as mais duras já gravadas no país.
O aluno é obrigado a fazer a operação mais difícil do ofício: sustentar duas séries de evidências que apontam para lados opostos, sem descartar nenhuma das duas por conveniência.
E o ganho não é retórico. O fim da hiperinflação beneficiou de fato quem era mais pobre, porque era exatamente quem não tinha como proteger o salário da desvalorização. Isso é verdade, e não impede que o desemprego tenha subido na mesma década e que o Estado tenha matado 111 presos numa manhã de 1992.
Fecha o capítulo com o que o rap tem de mais próprio: ser fonte histórica escrita por quem estava do lado de dentro do dado estatístico.
Conteúdos envolvidos
A curva da inflação de 1993 a 1996, projetada sem música nenhuma. A turma descreve o que aquilo significava na vida de quem recebia salário.
O que foi a URV, por que os preços ficaram três meses com duas etiquetas, e por que quem era mais pobre ganhou mais com o fim da inflação.
Em duas linhas: que tipo de música se esperaria encontrar num país que acabara de sair daquilo.
A de grande vendagem, a de Recife e a da periferia paulista, sem identificação. A previsão anterior é confrontada com o que se ouviu.
Desemprego subindo na mesma década, e as três datas de 1992 e 1993, com os números de mortos.
Posta com todo o material na mesa. Nenhuma das evidências pode ser descartada.
Melhora de indicador nacional e melhora de vida não são a mesma frase.
A manhã de 2 de outubro de 1992 narrada de dentro, cinco anos depois.
OuvirO terceiro Brasil, o de uma capital nordestina em crise.
OuvirUm relatório de duas páginas no formato de parecer histórico, com dois gráficos feitos pelo aluno — um econômico e um de violência ou desemprego —, três trechos de canção do período usados como fonte, e uma conclusão que responda à pergunta norteadora sem eliminar nenhuma das duas séries de evidência.
Critérios