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Quem conta a história de um lugar

Capítulo
10 — Rap e Manguebeat: a periferia invade o mercado
Nível
Ensino Fundamental
Ano sugerido
9º ano
Disciplina
História
Com
Língua Portuguesa
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

Duas canções sobre a periferia: uma escrita por quem olha de fora, outra narrada por quem mora ali.

Problema norteadorQuem conta a história de um lugar: quem mora nele ou quem passa por ele?

Habilidades

EF09HI25 Relacionar as transformações da sociedade brasileira aos protagonismos da sociedade civil após 1989.

EF09HI26 Discutir e analisar as causas da violência contra populações marginalizadas (negros, indígenas, mulheres, homossexuais, camponeses, pobres etc.) com vistas à tomada de consciência e à construção de uma cultura de paz, empatia e respeito às pessoas.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H1 — Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspectos da cultura; H4 — Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto da cultura.

Para treinar: questão 16 da lista do capítulo 10, questão 4 da lista do capítulo 10.

Objetivos

  • Identificar e comparar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Quem conta a história de um lugar: quem mora nele ou quem passa por ele?
  • Compreender periferia urbana brasileira: formação, trabalho, transporte, violência.
  • Compreender representação e autorrepresentação: falar sobre, falar por, falar de dentro.
  • Compreender História do hip hop: das festas de rua nova-iorquinas aos bailes black brasileiros.
  • Reconhecer o percurso da aula no produto final: uma narrativa curta, escrita em primeira pessoa por cada aluno, sobre um lugar que ele conhece de dentro — rua, quadra, escola, trabalho —, com uma regra: nada de explicar o lugar para quem é de fora.

É a virada mais importante da história da canção brasileira e o aluno consegue percebê-la sozinho, na comparação de duas gravações. Até o fim do século XX, os pobres eram assunto de canções feitas por quem não era pobre. O rap inverte quem segura o microfone.

A diferença não é de tema, é de posição: uma canção descreve alguém de longe e com pena; a outra narra de dentro, sem pedir licença e sem pedir compaixão.

E ensina a desconfiar da boa intenção como critério: querer o bem de alguém não é o mesmo que dar a essa pessoa o direito de falar.

Amarra a coleção inteira, porque a turma já ouviu, em capítulos anteriores, várias canções feitas sobre gente pobre por gente que não era.

Conteúdos envolvidos

  • Periferia urbana brasileira: formação, trabalho, transporte, violência.
  • Representação e autorrepresentação: falar sobre, falar por, falar de dentro.
  • História do hip hop: das festas de rua nova-iorquinas aos bailes black brasileiros.
  • Os primeiros grupos de rap no Brasil e as coletâneas de gravadora.
  • Narrador e ponto de vista.

Desenvolvimento

1
Duas gravações, sem nome nem data · 10 min Escuta

Uma pergunta por canção: quem está falando, e essa pessoa mora no lugar de que fala?

2
As respostas na lousa · 20 min Debate

Com a justificativa de cada uma.

3
As fichas dos autores · 10 min Leitura

Entram e confirmam ou desmentem a turma.

4
O que muda quando muda quem narra · 20 min Debate

A turma aponta trechos concretos das duas gravações.

5
De onde veio esse jeito de fazer música · 10 min Exposição

As festas de rua, os discos arranhados, os bailes brasileiros.

6
Discussão final · 20 min Debate

A primeira canção é ruim, ou é apenas outra coisa? A resposta não pode ser simples.

7
A narrativa em primeira pessoa · 20 min Produção escrita

Escrita individual, sem explicar o lugar para quem é de fora.

Materiais

Feio Não É Bonito
Carlos Lyra · 1960-1963 · Ao vivo

O olhar de fora, com pena, que dominou a canção brasileira.

Ouvir
Homem na Estrada
Racionais MC's · anos 1990

O mesmo assunto narrado de dentro, sem pedir licença.

Ouvir
  • Imagens das festas de rua nos Estados Unidos e dos bailes black brasileiros
  • Fichas dos dois compositores: onde nasceram, onde moravam, o que faziam

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Uma narrativa curta, escrita em primeira pessoa por cada aluno, sobre um lugar que ele conhece de dentro — rua, quadra, escola, trabalho —, com uma regra: nada de explicar o lugar para quem é de fora.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Domínio do ponto de vista escolhido e coerência da voz do texto do início ao fim.