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Barato de gravar

Capítulos
9 — Brock: juventude, revolta e prazer · 1 — Indústria Cultural e a indústria fonográfica no Brasil
Nível
Ensino Médio
Ano sugerido
2ª série do Ensino Médio
Disciplina
História
Com
Sociologia
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

Por que as gravadoras apostaram em bandas de rock nos anos 1980, e o que uma decisão de custo faz com a estética de uma década.

Problema norteadorA cara de uma época pode ser decidida por uma planilha de custos?

Habilidades

EM13CHS303 Debater e avaliar o papel da indústria cultural e das culturas de massa no estímulo ao consumismo, seus impactos econômicos e socioambientais, com vistas a uma percepção crítica das necessidades criadas pelo consumo.

EM13CHS403 Caracterizar e analisar processos próprios da contemporaneidade, com ênfase nas transformações tecnológicas e das relações sociais e de trabalho, para propor ações que visem à superação de situações de opressão e violação dos Direitos Humanos.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H16 — Identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do trabalho e/ou da vida social; H21 — Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social.

Para treinar: questão 16 da lista do capítulo 9, questão 2 da lista do capítulo 9.

Objetivos

  • Analisar e relacionar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: A cara de uma época pode ser decidida por uma planilha de custos?
  • Compreender custo de produção fonográfica: estúdio, arranjo, músicos contratados, direitos.
  • Compreender crise econômica e decisão de investimento das gravadoras.
  • Compreender segmentação de público e a busca de um consumidor jovem.
  • Avaliar o percurso da aula no produto final: um plano de investimento de gravadora, feito em grupo, para um ano da década de 1980: quatro artistas escolhidos, orçamento estimado para cada um, justificativa da aposta — e, no fim, uma avaliação escrita do que esse plano faria com a música que o país ouviria.

O argumento é simples e desconcertante: num país em crise, um artista consagrado exigia arranjador, muitas horas de estúdio e músicos contratados; uma banda de rock chegava com três ou quatro pessoas que compunham as próprias canções. Era mais barato, e por isso houve mais.

Isso não diminui os artistas — e a aula precisa deixar isso claro —, mas explica por que aquele som e não outro dominou o rádio.

Retoma a pergunta do primeiro capítulo com o caso mais fácil de verificar, porque as fichas técnicas existem e estão impressas nas capas.

E é imediatamente transportável para hoje: o que hoje é barato de produzir, e o que isso está fazendo com o que se ouve.

Conteúdos envolvidos

  • Custo de produção fonográfica: estúdio, arranjo, músicos contratados, direitos.
  • Crise econômica e decisão de investimento das gravadoras.
  • Segmentação de público e a busca de um consumidor jovem.
  • Imprensa especializada e a construção de novos ídolos.
  • A acusação de americanização, retomada dos capítulos anteriores.

Desenvolvimento

1
Quantas pessoas foram necessárias? · 10 min Escuta

Escuta das quatro gravações. Para cada uma, a turma estima quantas pessoas foram precisas para produzi-la.

2
As fichas técnicas · 10 min Leitura

Confirmam ou desmentem as estimativas: três, quatro, sete, e um número que a turma vai ter de contar nos créditos.

3
A conta grosseira · 15 min Pesquisa

Quanto custaria cada uma, em horas de estúdio e em número de contratados.

4
A decisão da gravadora · 20 min Debate

Apresentada como problema: você tem pouco dinheiro e precisa lançar dez discos por ano. Em que aposta?

5
O que aconteceu de fato · 10 min Exposição

E o que a imprensa da época escreveu sobre isso.

6
A ressalva obrigatória · 20 min Debate

Barato de gravar não quer dizer pobre de resultado. Onde essa confusão costuma aparecer?

7
Transposição para hoje · 20 min Debate

O que é barato de produzir agora, e o que domina por isso.

Materiais

Alagados
Os Paralamas do Sucesso · Selvagem? · 1986 · Do disco Selvagem?, 1986, produção de Liminha, com Gilberto Gil convidado

Trio, e os três assinam a composição. O mínimo possível de gente numa gravação.

Ouvir
Que país é este?
Legião Urbana · 1987 · 1987

Quarteto com repertório próprio: o degrau seguinte na conta.

Ouvir
Comida
Titãs · Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas · 1987 · Do disco Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas, 1987

Sete integrantes, todos compondo — mesma lógica de banda, mais que o dobro de gente.

Ouvir
Todo o Sentimento
Chico Buarque · Francisco · 1987 · Faixa 7 do disco Francisco, 1987; composição com Cristovão Bastos, que assina os arranjos do álbum ao lado de João Donato

Arranjo denso de piano e cordas, arranjador como coautor, e nenhum dos músicos pertencendo a um grupo fixo. O extremo oposto do primeiro caso.

Ouvir
  • Fichas técnicas dos quatro discos, com número de músicos e créditos de arranjo
  • Reportagens da imprensa da época sobre o surgimento das bandas
  • Dados de produção e de vendagem das gravadoras no período

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Um plano de investimento de gravadora, feito em grupo, para um ano da década de 1980: quatro artistas escolhidos, orçamento estimado para cada um, justificativa da aposta — e, no fim, uma avaliação escrita do que esse plano faria com a música que o país ouviria.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Domínio do ponto de vista escolhido e coerência da voz do texto do início ao fim.
  • Justificativa histórica das escolhas de letra, ritmo e instrumentação na versão criada.