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A vaia como documento

Capítulo
5 — Música de protesto: a politização da música brasileira
Nível
Ensino Médio
Ano sugerido
3ª série do Ensino Médio
Disciplina
História
Com
Sociologia
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

Os festivais de televisão como arena política, e a plateia que virou personagem da própria história que assistia.

Problema norteadorQuando o protesto vira programa de auditório, quem está protestando?

Habilidades

EM13CHS101 Analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão e à crítica de ideias filosóficas e processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.

EM13CHS303 Debater e avaliar o papel da indústria cultural e das culturas de massa no estímulo ao consumismo, seus impactos econômicos e socioambientais, com vistas a uma percepção crítica das necessidades criadas pelo consumo.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H15 — Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo da história; H21 — Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social.

Para treinar: questão 1 da lista do capítulo 5, questão 11 da lista do capítulo 5.

Objetivos

  • Analisar e relacionar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Quando o protesto vira programa de auditório, quem está protestando?
  • Compreender ditadura civil-militar entre 1964 e 1968; o endurecimento até o AI-5.
  • Compreender televisão, audiência e a transformação do debate político em espetáculo.
  • Compreender os festivais como mercado: júri, prêmio, disco e contrato.
  • Avaliar o percurso da aula no produto final: uma análise de fonte sonora, de uma página: escolher um dos três episódios, descrever o que se ouve do público em momentos específicos, e argumentar o que esse som prova e o que ele não prova sobre o Brasil daquele ano.

As gravações dos festivais têm um documento que quase nenhuma outra fonte sonora tem: o barulho do público. Dá para ouvir uma plateia decidindo, em tempo real, o que é aceitável politicamente. Isso não se lê, se escuta.

Três episódios em três anos montam a curva inteira: em 1966 um compositor força um empate para não vencer sozinho; em 1967 outro é vaiado até quebrar o violão e atirá-lo na plateia; em 1968 a canção vencedora é vaiada sem piedade porque o público queria a outra.

Isso desmonta a ideia confortável de que havia um lado certo e um errado. A plateia engajada também censurava, à sua maneira, e uma emissora ganhava audiência com a briga.

E é ENEM puro: cultura, política e meio de comunicação no mesmo documento.

Conteúdos envolvidos

  • Ditadura civil-militar entre 1964 e 1968; o endurecimento até o AI-5.
  • Televisão, audiência e a transformação do debate político em espetáculo.
  • Os festivais como mercado: júri, prêmio, disco e contrato.
  • Nacionalismo musical e a disputa sobre influência estrangeira.
  • Público como agente histórico: aplauso e vaia como formas de ação política.

Desenvolvimento

1
O áudio de 1968, sem imagem e sem letra · 10 min Escuta

Só o som com o público. A turma descreve o que a plateia está fazendo e tenta explicar por quê.

2
A revelação · 10 min Escuta

Essa era a canção vencedora, e o público queria a outra. Escuta da outra.

3
Os três episódios em ordem · 10 min Exposição

O empate de 1966, o violão quebrado em 1967, a vaia de 1968. O que muda de um ano para o outro?

4
Entra a emissora · 10 min Exposição

Quem lucrava com a briga, que audiência isso dava, e por que a disputa era estimulada.

5
Entra o regime · 10 min Leitura

O que estava acontecendo no país em cada um dos três anos, e o que veio em dezembro de 1968.

6
Debate estruturado · 20 min Debate

A plateia dos festivais era resistência ou era público de programa de auditório? Sustentar com o áudio.

7
Escrita individual · 20 min Produção escrita

Resposta à pergunta norteadora, com o som como evidência.

Materiais

Sabiá
Cynara e Cybele · 1968 · III Festival Internacional da Canção, 1968. Composição de Chico Buarque e Tom Jobim

A vencedora do III Festival Internacional da Canção, vaiada pela plateia.

Ouvir
Pra Não Dizer que Não Falei das Flores
Geraldo Vandré · 1968 · III Festival Internacional da Canção, 1968

A segunda colocada, aclamada pelo público que rejeitou a vencedora.

Ouvir
A canção vaiada de 1967
Sérgio Ricardo · 1967 · Registro do III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record

A apresentação interrompida pela vaia, que termina com o violão quebrado.

Ouvir
Disparada
Jair Rodrigues · 1966 · II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, 1966

Uma das duas que empataram no II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record.

Ouvir
A Banda
Nara Leão e Chico Buarque · 1966 · II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, 1966

A outra metade do empate de 1966.

Ouvir

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Uma análise de fonte sonora, de uma página: escolher um dos três episódios, descrever o que se ouve do público em momentos específicos, e argumentar o que esse som prova e o que ele não prova sobre o Brasil daquele ano.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Clareza do argumento e distinção entre o que a fonte prova e o que apenas sugere.