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Do boiadeiro ao dono da boiada

Capítulo
3 — As músicas dos sertões
Nível
Ensino Médio
Ano sugerido
3ª série do Ensino Médio
Disciplina
História
Com
Geografia
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

A mesma paisagem cantada por quem trabalha nela e por quem é dono dela: da moda de viola ao sertanejo do agronegócio.

Problema norteadorQuando o sertão da canção deixou de ser lugar de trabalho e virou lugar de propriedade?

Habilidades

EM13CHS205 Analisar a produção de diferentes territorialidades em suas dimensões culturais, econômicas, ambientais, políticas e sociais, no Brasil e no mundo contemporâneo, com destaque para as culturas juvenis.

EM13CHS302 Analisar e avaliar os impactos econômicos e socioambientais de cadeias produtivas ligadas à exploração de recursos naturais e às atividades agropecuárias em diferentes ambientes e escalas de análise, considerando o modo de vida das populações locais e o compromisso com a sustentabilidade.

EM13CHS404 Identificar e discutir os múltiplos aspectos do trabalho em diferentes circunstâncias e contextos históricos e/ou geográficos e seus efeitos sobre as gerações, em especial, os jovens e as gerações futuras, levando em consideração, na atualidade, as transformações técnicas, tecnológicas e informacionais.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H18 — Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implicações sócio-espaciais; H27 — Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e(ou) geográficos.

Para treinar: questão 2 da lista do capítulo 3, questão 6 da lista do capítulo 3.

Objetivos

  • Analisar e relacionar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Quando o sertão da canção deixou de ser lugar de trabalho e virou lugar de propriedade?
  • Compreender modernização conservadora do campo, mecanização e seus efeitos sobre o emprego rural.
  • Compreender expansão da fronteira agrícola, monocultura de exportação e concentração fundiária.
  • Compreender trabalho no campo: boiadeiro, peão, assalariado, e o desaparecimento dessas figuras da paisagem cantada.
  • Avaliar o percurso da aula no produto final: estudo de caso em dupla: escolher uma canção sertaneja recente, descrever o que ela mostra do campo e o que a gravação quer produzir em quem ouve, cruzar com dois dados do IBGE sobre a mesma região, e escrever meia página sobre o que a canção mostra, o que omite e a quem a omissão serve.

Duas gravações separadas por quase oitenta anos, o mesmo cenário, e a posição social do narrador invertida. A comparação é audível, e a conclusão é histórica.

É assunto vivo e disputado, o que é uma vantagem: o aluno chega com opinião e sem argumento, e a aula serve para inverter essa ordem.

Geografia entra com o que só ela dá — fronteira agrícola, mecanização, monocultura, estrutura fundiária —, e é o mapa que explica de onde vem o dinheiro que patrocina o show.

E fecha a lógica que atravessa o capítulo inteiro: a música do sertão sempre foi feita na cidade e vendida pela indústria. O que muda, de época para época, é quem paga.

Conteúdos envolvidos

  • Modernização conservadora do campo, mecanização e seus efeitos sobre o emprego rural.
  • Expansão da fronteira agrícola, monocultura de exportação e concentração fundiária.
  • Trabalho no campo: boiadeiro, peão, assalariado, e o desaparecimento dessas figuras da paisagem cantada.
  • Do sertanejo romântico dos anos 1980 e 1990 ao sertanejo universitário: segmentação de mercado e o disco popular de preço baixo.
  • Patrocínio, produtoras e a gestão simultânea de carreiras como negócio.
  • Representação: quem aparece na canção e quem sumiu dela.

Desenvolvimento

1
Escuta das duas gravações · 10 min Escuta

Sem comentário. Ficha de duas colunas: quem fala, o que possui, do que vive, com quem se compara — e o que cada gravação parece querer que o ouvinte sinta.

2
A hipótese da turma · 20 min Debate

Mesmo cenário, posição social invertida. A turma formula a hipótese antes de qualquer explicação do professor.

3
Geografia assume · 15 min Pesquisa

O que aconteceu com esse campo entre uma gravação e outra: máquina, fronteira, monocultura, tamanho das propriedades.

4
História assume · 10 min Exposição

Modernização conservadora, quem ganhou, quem saiu, e por que o trabalhador sumiu da paisagem cantada mais ou menos quando sumiu da paisagem real.

5
Quem paga · 10 min Leitura

Leitura do material sobre patrocínio e produtoras. A canção como peça de comunicação de um setor econômico.

6
Contraditório obrigatório · 10 min Leitura

Leitura de um argumento favorável ao setor, que a turma tem de reconstruir com honestidade antes de ter direito a discordar.

7
Debate final · 20 min Debate

Sobre a pergunta norteadora, com evidência de todas as etapas anteriores.

8
Estudo de caso · 20 min Produção escrita

Escrita em dupla, cruzando canção e dados.

Materiais

Chico Mineiro
Tonico e Tinoco · 1946 · Gravado em 10 de abril de 1946, com acompanhamento de Piraci

O narrador é quem trabalha na boiada, não quem é dono dela.

Ouvir
Boiadeira
Ana Castela · Sugestão de 2026; a turma pode trocar por outra atual

Mesmo cenário, setenta anos depois, com o narrador do outro lado da porteira.

Ouvir
Pense em Mim
Leandro e Leonardo · Sugestão; a dupla que fez o gênero virar produto de massa

A etapa intermediária, quando o gênero vira produto de massa.

Ouvir

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Estudo de caso em dupla: escolher uma canção sertaneja recente, descrever o que ela mostra do campo e o que a gravação quer produzir em quem ouve, cruzar com dois dados do IBGE sobre a mesma região, e escrever meia página sobre o que a canção mostra, o que omite e a quem a omissão serve.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Clareza do argumento e distinção entre o que a fonte prova e o que apenas sugere.