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Quem vendeu mais e ninguém lembra

Capítulo
3 — As músicas dos sertões
Nível
Ensino Fundamental
Ano sugerido
9º ano
Disciplina
História
Com
Geografia
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

A música dos que saíram do campo: o êxodo rural paulista, as duplas caipiras, e a distância entre vender muito e entrar para a história.

Problema norteadorPor que a dupla que mais vendeu discos no Brasil quase não aparece quando se conta a história da música brasileira?

Habilidades

EF09HI05 Identificar os processos de urbanização e modernização da sociedade brasileira e avaliar suas contradições e impactos na região em que vive.

EF09HI18 Descrever e analisar as relações entre as transformações urbanas e seus impactos na cultura brasileira entre 1946 e 1964 e na produção das desigualdades regionais e sociais.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H8 — Analisar a ação dos estados nacionais no que se refere à dinâmica dos fluxos populacionais e no enfrentamento de problemas de ordem econômico-social; H11 — Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.

Para treinar: questão 11 da lista do capítulo 3, questão 6 da lista do capítulo 3.

Objetivos

  • Identificar e comparar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Por que a dupla que mais vendeu discos no Brasil quase não aparece quando se conta a história da música brasileira?
  • Compreender crise de 1929, decadência da cultura cafeeira paulista e êxodo rural.
  • Compreender industrialização e a chegada do trabalhador do campo à cidade grande.
  • Compreender a música caipira como música urbana de temática rural.
  • Reconhecer o percurso da aula no produto final: a parada de sucessos da família: a turma monta a lista do que levantou na pesquisa, com época e lugar de cada canção, e escreve o texto de abertura respondendo por que quase nenhuma delas aparece nas histórias oficiais da música brasileira.

O número faz o trabalho sozinho: cerca de 150 milhões de discos, mais do que qualquer outro artista do país. Do espanto sai a pergunta que funda o ofício — quem escreve a história, e com que critério.

Sucesso de público e prestígio de crítica são coisas diferentes, e a diferença tem endereço: o eixo Rio–São Paulo decidia o que virava assunto nacional.

E dá o Brasil que se esvaziou. A crise de 1929 quebra as fazendas de café, o campo se despeja na cidade, e a música do campo vira música urbana feita para quem sente falta do campo.

Boa parte dos alunos tem essa música em casa e nunca na aula. Trazê-la é reconhecimento, não concessão.

Conteúdos envolvidos

  • Crise de 1929, decadência da cultura cafeeira paulista e êxodo rural.
  • Industrialização e a chegada do trabalhador do campo à cidade grande.
  • A música caipira como música urbana de temática rural.
  • Rádio, programas caipiras e o mercado do interior.
  • Vendagem e cânone: quem decide o que é lembrado.
  • Humor, sátira política e a diferença entre reprimir e cooptar.

Desenvolvimento

1
Escuta de Chico Mineiro, inteira · 10 min Escuta

Sem contexto. É uma história com enredo, e a turma reconta o enredo. Duas perguntas: quem está narrando, e do que essa pessoa vive?

2
O que a canção mostra do trabalho · 20 min Debate

Quem toca a boiada, quem é dono dela, o que significa ser amigo e ser irmão sem que ninguém saiba.

3
O número na lousa · 10 min Exposição

Quanto a dupla vendeu, e em seguida a pergunta de quem eles são. O silêncio da turma é o dado da aula.

4
Por que ninguém sabe? · 15 min Pesquisa

Hipóteses da turma, confrontadas com o mapa: quem morava onde, que rádio tocava o quê, quem escrevia nos jornais das duas capitais.

5
De onde vinha esse público · 10 min Exposição

1929, as fazendas que quebram, a cidade que recebe. A música do campo virando consolo de quem já não mora nele.

6
O humor e o poder · 20 min Debate

A dupla que satirizava o governo, era presa, voltava às paradas — e deixou de ser perseguida depois de cantar para a família do presidente. Reprimir e cooptar são a mesma coisa?

7
Pesquisa com os mais velhos · 15 min Pesquisa

Cada aluno pergunta a alguém mais velho que música ouvia aos quinze anos, e onde ouvia.

8
A parada de sucessos da família · 25 min Produção artística

Montagem coletiva da lista e escrita do texto de abertura.

Materiais

Chico Mineiro
Tonico e Tinoco · 1946 · Gravado em 10 de abril de 1946, com acompanhamento de Piraci

Uma história inteira cantada, com narrador que trabalha — o ponto de partida da aula.

Ouvir
Tristeza do Jeca
Tonico e Tinoco · Composição de Angelino de Oliveira

O repertório que fez a dupla vender como ninguém.

Ouvir
Romance de uma caveira
Alvarenga e Ranchinho · 1940 · Composição de Chiquinho Salles

O humor das duplas caipiras, que também era arma política.

Ouvir
Tá tudo subindo
Alvarenga e Ranchinho · 1953

A sátira que levava a dupla à prisão e às paradas ao mesmo tempo.

Ouvir

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

A parada de sucessos da família: a turma monta a lista do que levantou na pesquisa, com época e lugar de cada canção, e escreve o texto de abertura respondendo por que quase nenhuma delas aparece nas histórias oficiais da música brasileira.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Organização das fontes reunidas e clareza sobre o que cada uma comprova.
  • Justificativa histórica das escolhas de letra, ritmo e instrumentação na versão criada.