O rádio como primeiro meio de massa do país e a fabricação da popularidade, do concurso patrocinado às métricas de hoje.
Problema norteadorQuando um artista é eleito o mais popular do país, o que exatamente foi medido?
EF09HI05 Identificar os processos de urbanização e modernização da sociedade brasileira e avaliar suas contradições e impactos na região em que vive.
EF09HI18 Descrever e analisar as relações entre as transformações urbanas e seus impactos na cultura brasileira entre 1946 e 1964 e na produção das desigualdades regionais e sociais.
No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H21 — Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social; H3 — Associar as manifestações culturais do presente aos seus processos históricos.
Para treinar: questão 9 da lista do capítulo 1, questão 5 da lista do capítulo 1.
O aluno vive cercado de números que lê como termômetro natural do gosto coletivo: streams, likes, mais tocadas da semana. O concurso de 1949 mostra o mesmo mecanismo sem o verniz do algoritmo, porque o voto era um cupom impresso numa revista e a revista se comprava na banca.
Aprender a perguntar de um número quem o produziu, quem o pagou e o que ele deixa de fora é crítica de fonte, e serve muito além da aula de música.
E leva ao Brasil dos anos 1940 e 1950, quando pela primeira vez um país inteiro passou a ouvir a mesma coisa ao mesmo tempo.
Conteúdos envolvidos
Escuta das duas gravações sem nome, ano ou explicação. A turma anota o que ouviu: se a voz parece perto ou longe, se aquilo foi feito para dançar, para acompanhar de casa ou para gritar junto num auditório lotado.
Entram os nomes e a disputa: em 1949 uma delas foi eleita a mais popular do Brasil com quase 530 mil votos. O professor explica que o concurso teve vários formatos ao longo dos anos, com júris de jornalistas, artistas e músicos em alguns deles — e entrega o formato daquele ano sozinho, sem o resto: votava-se por cupom recortado de uma revista.
A turma tem de achar a falha antes de ouvir a resposta. A resposta histórica é que uma fabricante de refrigerante bancou a compra das revistas para lançar um produto.
A disputa não acontecia só entre as cantoras. O público dos programas de auditório era em boa parte formado por mulheres jovens, negras e pobres, organizadas em fã-clubes — e foi a elas que a imprensa, no fim dos anos 1940, passou a dar um apelido abertamente racista. Leitura do trecho e discussão: quem tinha o direito de gostar de música em público, e quem era ridicularizado por gostar.
A decisão de governo que permitiu ao rádio vender anúncio e assim transformou emissora em empresa e cantora em produto.
Comparação daquela cédula de votação com a lista de mais tocadas de um serviço de streaming no dia da aula.
Em grupos, os alunos gravam no celular três minutos de rádio de auditório, com locutor, patrocinador e defesa de sua candidata, e entregam junto uma ficha curta dizendo quem, naquele bloco que eles mesmos fabricaram, decidiu o que o ouvinte ia ouvir.
A gravação que a turma ouve sem saber de quem é, e que está no centro da disputa de 1949.
OuvirEm grupos, os alunos gravam no celular três minutos de rádio de auditório — locutor, patrocinador e a defesa de sua candidata — e entregam junto uma ficha curta dizendo quem, naquele bloco que eles mesmos fabricaram, decidiu o que o ouvinte ia ouvir.
Critérios