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A rainha que o guaraná elegeu

Capítulo
1 — Indústria Cultural e a indústria fonográfica no Brasil
Nível
Ensino Fundamental
Ano sugerido
9º ano
Disciplina
História
Com
Língua Portuguesa, Matemática
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

O rádio como primeiro meio de massa do país e a fabricação da popularidade, do concurso patrocinado às métricas de hoje.

Problema norteadorQuando um artista é eleito o mais popular do país, o que exatamente foi medido?

Habilidades

EF09HI05 Identificar os processos de urbanização e modernização da sociedade brasileira e avaliar suas contradições e impactos na região em que vive.

EF09HI18 Descrever e analisar as relações entre as transformações urbanas e seus impactos na cultura brasileira entre 1946 e 1964 e na produção das desigualdades regionais e sociais.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H21 — Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social; H3 — Associar as manifestações culturais do presente aos seus processos históricos.

Para treinar: questão 9 da lista do capítulo 1, questão 5 da lista do capítulo 1.

Objetivos

  • Identificar e comparar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Quando um artista é eleito o mais popular do país, o que exatamente foi medido?
  • Compreender o rádio brasileiro entre a concessão pública e o negócio privado, e a autorização da publicidade em 1932.
  • Compreender os programas de auditório e o fã-clube como forma de organização coletiva.
  • Compreender quem estava na plateia dos auditórios — em boa parte mulheres jovens, negras e pobres — e o apelido racista que a imprensa passou a usar para elas no fim dos anos 1940.
  • Reconhecer o percurso da aula no produto final: em grupos, os alunos gravam no celular três minutos de rádio de auditório — locutor, patrocinador e a defesa de sua candidata — e entregam junto uma ficha curta dizendo quem, naquele bloco que eles mesmos fabricaram, decidiu o que o ouvinte ia ouvir.

O aluno vive cercado de números que lê como termômetro natural do gosto coletivo: streams, likes, mais tocadas da semana. O concurso de 1949 mostra o mesmo mecanismo sem o verniz do algoritmo, porque o voto era um cupom impresso numa revista e a revista se comprava na banca.

Aprender a perguntar de um número quem o produziu, quem o pagou e o que ele deixa de fora é crítica de fonte, e serve muito além da aula de música.

E leva ao Brasil dos anos 1940 e 1950, quando pela primeira vez um país inteiro passou a ouvir a mesma coisa ao mesmo tempo.

Conteúdos envolvidos

  • O rádio brasileiro entre a concessão pública e o negócio privado, e a autorização da publicidade em 1932.
  • Os programas de auditório e o fã-clube como forma de organização coletiva.
  • Quem estava na plateia dos auditórios — em boa parte mulheres jovens, negras e pobres — e o apelido racista que a imprensa passou a usar para elas no fim dos anos 1940.
  • Patrocínio e marca: quem paga a programação decide a programação.
  • A cidade, o consumo e o rádio como móvel da casa no pós-guerra.
  • Mulheres como profissionais e figuras públicas naquele Brasil.
  • Métricas de popularidade, de então e de agora.
  • Os vários formatos do concurso ao longo dos anos, do júri de especialistas ao voto por cupom.

Desenvolvimento

1
Escuta cega das duas gravações · 10 min Escuta

Escuta das duas gravações sem nome, ano ou explicação. A turma anota o que ouviu: se a voz parece perto ou longe, se aquilo foi feito para dançar, para acompanhar de casa ou para gritar junto num auditório lotado.

2
A disputa de 1949 · 10 min Exposição

Entram os nomes e a disputa: em 1949 uma delas foi eleita a mais popular do Brasil com quase 530 mil votos. O professor explica que o concurso teve vários formatos ao longo dos anos, com júris de jornalistas, artistas e músicos em alguns deles — e entrega o formato daquele ano sozinho, sem o resto: votava-se por cupom recortado de uma revista.

3
Achar a falha · 20 min Debate

A turma tem de achar a falha antes de ouvir a resposta. A resposta histórica é que uma fabricante de refrigerante bancou a compra das revistas para lançar um produto.

4
Quem estava na plateia · 10 min Leitura

A disputa não acontecia só entre as cantoras. O público dos programas de auditório era em boa parte formado por mulheres jovens, negras e pobres, organizadas em fã-clubes — e foi a elas que a imprensa, no fim dos anos 1940, passou a dar um apelido abertamente racista. Leitura do trecho e discussão: quem tinha o direito de gostar de música em público, e quem era ridicularizado por gostar.

5
Para trás: quem paga a programação · 10 min Exposição

A decisão de governo que permitiu ao rádio vender anúncio e assim transformou emissora em empresa e cantora em produto.

6
Para a frente: a lista de hoje · 15 min Pesquisa

Comparação daquela cédula de votação com a lista de mais tocadas de um serviço de streaming no dia da aula.

7
Produção do bloco de rádio · 25 min Produção artística

Em grupos, os alunos gravam no celular três minutos de rádio de auditório, com locutor, patrocinador e defesa de sua candidata, e entregam junto uma ficha curta dizendo quem, naquele bloco que eles mesmos fabricaram, decidiu o que o ouvinte ia ouvir.

Materiais

Chiquita Bacana
Emilinha Borba · 1949 · 78 rotações, 1949

A gravação que a turma ouve sem saber de quem é, e que está no centro da disputa de 1949.

Ouvir
Lata d'água
Marlene · 1952

O contraponto da outra candidata, para a escuta comparada.

Ouvir

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Em grupos, os alunos gravam no celular três minutos de rádio de auditório — locutor, patrocinador e a defesa de sua candidata — e entregam junto uma ficha curta dizendo quem, naquele bloco que eles mesmos fabricaram, decidiu o que o ouvinte ia ouvir.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Organização das fontes reunidas e clareza sobre o que cada uma comprova.